terça-feira, 3 de janeiro de 2012


Saudades! Sim... talvez... e porque não?... 
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
 Que bem pensara vê-lo até à morte
 Deslumbrar-me de luz o coração!  
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
 Que tudo isso, Amor, nos não importe.
 Se ele deixou beleza que conforte 
Deve-nos ser sagrado como pão! 
 Quantas vezes, Amor, já te esqueci, 
Para mais doidamente me lembrar,
 Mais doidamente me lembrar de ti! 
 E quem dera que fosse sempre assim: 
Quanto menos quisesse recordar 
Mais a saudade andasse presa a mim!  
                     Florbela Espanca

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